O Milagre de Istambul 2005: a virada épica do Liverpool
Na noite de 25 de maio de 2005, o Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, foi palco da virada mais impressionante da história da Liga dos Campeões. O Liverpool de Rafael Benítez perdia por 3 a 0 para um Milan que parecia intocável e, em apenas seis minutos do segundo tempo, empatou tudo para acabar levantando sua quinta Copa da Europa nos pênaltis. Aquela final, batizada para sempre como o Milagre de Istambul, é a prova definitiva de que no futebol nada está decidido até o apito final.
Uma final escrita para a lenda
Diante de cerca de 69 mil torcedores e com o espanhol Manuel Mejuto González no apito, encontravam-se dois gigantes com projetos opostos. O Milan de Carlo Ancelotti chegava como favorito absoluto: Maldini, Nesta, Stam e Cafu na defesa, Pirlo e Gattuso no meio-campo e um trio temível formado por Kaká, Shevchenko e Crespo. Do outro lado, um Liverpool humilde mas corajoso, liderado pela braçadeira de Steven Gerrard e sustentado por Jamie Carragher, Xabi Alonso e um goleiro, Jerzy Dudek, prestes a escrever seu nome na eternidade. Poucos davam chances aos ingleses.
O vendaval rossonero: 3 a 0 em 45 minutos
A partida não poderia começar pior para os Reds. Mal haviam se passado cerca de cinquenta segundos quando Paolo Maldini, o eterno capitão milanista, completou de primeira uma falta cobrada por Pirlo e abriu o placar logo no primeiro minuto, o gol mais rápido de uma final da competição até então. O castigo não parou por aí. Hernán Crespo, emprestado pelo Chelsea, marcou um doblete implacável aos 39 e aos 44 minutos, o segundo após um passe sublime de Kaká que o deixou livre diante de Dudek. No intervalo, o placar apontava um brutal 3 a 0 e a taça já parecia gravada com o nome do Milan.
O intervalo que mudou tudo
Enquanto o Milan comemorava em silêncio um título que julgava conquistado, algo inexplicável acontecia na arquibancada vermelha: os torcedores do Liverpool cantaram o hino You'll Never Walk Alone mais forte do que nunca, perdendo por 3 a 0. No vestiário, Rafael Benítez refez o time. Colocou Dietmar Hamann, que jogaria boa parte da partida com um dedo do pé fraturado, para reforçar o meio-campo e passou a uma defesa de três. O ajuste tático devolveu a ordem a um Liverpool atropelado e preparou o cenário para o impossível.
"“Foram seis minutos de loucura em que jogamos tudo fora”, admitiria depois Carlo Ancelotti sobre o colapso do seu Milan."
Seis minutos de loucura
O que aconteceu entre os minutos 54 e 60 não tem paralelo na história das finais europeias. Aos 54, Steven Gerrard subiu para cabecear um cruzamento medido de John Arne Riise e superar Dida: 3 a 1 e uma faísca de esperança. Dois minutos depois, aos 56, Vladimír Šmicer, reserva que entrara no lugar do lesionado Kewell, soltou um chute de longe que entrou rente à trave: 3 a 2, e o Atatürk começou a tremer. E aos 60, após uma falta de Gattuso sobre Gerrard, Xabi Alonso cobrou o pênalti; Dida defendeu, mas o espanhol pegou o rebote para fazer 3 a 3. Em seis minutos, o Liverpool havia ressuscitado.
A prorrogação e a dupla defesa de Dudek
Com tudo igual, o Milan reagiu e buscou o golpe final na prorrogação. O momento máximo chegou aos 117 minutos: Shevchenko cabeceou à queima-roupa e Dudek espalmou de forma milagrosa; a bola voltou aos pés do ucraniano, que bateu de novo de apenas três metros, e outra vez surgiu a mão do polonês para tirar o impossível. Aquela dupla defesa, comparada à lendária de Gordon Banks em Pelé, manteve vivo um Liverpool exausto que já só pensava nos pênaltis.
A disputa infinita e a dança de Dudek
Na disputa de pênaltis, Jerzy Dudek transformou-se em um herói imprevisível. Relembrando as pernas bambas de Bruce Grobbelaar em Roma, em 1984, ele se mexia sobre a linha para desconcertar os batedores milanistas, e o plano funcionou à perfeição. Esta foi a sequência de uma disputa que ficou gravada na memória do futebol:
- Serginho bateu a primeira do Milan e mandou a bola muito por cima do travessão.
- Dietmar Hamann marcou a primeira do Liverpool mesmo jogando com o pé quebrado.
- Andrea Pirlo viu Dudek adivinhar e defender sua cobrança.
- Djibril Cissé bateu firme e fez 2 a 0 para o Liverpool na disputa.
- Jon Dahl Tomasson descontou para o Milan.
- John Arne Riise perdeu: Dida defendeu a cobrança do Liverpool.
- Kaká converteu com tranquilidade e empatou a disputa.
- Vladimír Šmicer foi decisivo mais uma vez e fez 3 a 2.
- Andriy Shevchenko cobrou a última e Dudek defendeu: o Liverpool era campeão da Europa.
Quando o chute de Shevchenko morreu nas mãos de Dudek, o Liverpool explodiu. Haviam vencido por 3 a 2 nos pênaltis após o 3 a 3, conquistando a quinta Copa da Europa, número que lhes permitia ficar com o troféu para sempre. Gerrard, elevado naquela noite à condição de mito, ergueu um título que ninguém fora de Anfield acreditava ser possível naquela tarde.
Por que ainda é o maior milagre do futebol
O Milagre de Istambul vai muito além do resultado. É a história de um time que se recusou a desistir quando tudo parecia perdido, de um capitão que arrastou os companheiros pelo exemplo, de um goleiro que jogou tanto com a cabeça quanto com as mãos e de uma torcida que cantou até quando o placar dizia 3 a 0. Para o Milan foi uma ferida que levou anos para cicatrizar; para o Liverpool, a noite que definiu uma geração. Quase todas as listas das melhores finais da história a colocam no topo, e com razão.
"“Três gols em seis minutos, uma prorrogação de tirar o fôlego e uma disputa eterna: Istambul 2005 foi a noite em que o futebol decidiu que nada é impossível.”"
E se aquela final tivesse terminado de outra forma? No Fut Simulator você pode reviver o Liverpool 3 a 3 Milan de 2005 e simular quantas vezes quiser aquela partida e aquele torneio: teste se os Reds viram de novo o 3 a 0, recrie a disputa de pênaltis ou leve o Milan de Maldini e Kaká à Champions que escapou. A história já está escrita, mas a simulação deixa você imaginar todas as que poderiam ter sido.
